Imagine - Liam Payne XIII

"Mas, baby, se você disser que quer que eu fique
Eu vou mudar de ideia
One Direction


E lá estava eu em pé sem saber o que fazer. Ele estava ali depois de três meses, esperando por mim, como sempre esteve. “Mesa 8. Café e uma conversa, talvez”, era o que estava escrito no bloco de anotações. Abri a boca repetidas vezes tentando pronunciar algo. Mas o que eu poderia dizer se eu não sabia o que falar? Eu tinha esperado tanto por esse momento que não sabia o que fazer. Olhei novamente pra Joe, que ainda estava de pé olhando pra mim. “Vai, fala com ele”, foi o que ele gesticulou.
- Eu... eu já vou... trazer o seu pedido. – guardei o pequeno bloco de anotações no bolso do avental que estava amarrado na minha cintura, virei-me em direção ao balcão e corri até a cozinha com as pernas bambas.
            - E ai, o que você disse? – Joe disse assim que me alcançou
           - Que já levaria o pedido dele... Ele quer conversar. – minhas mãos estavam trêmulas por causa do nervosismo, senti meu sangue circular pelas veias e artérias lentamente. Minhas pernas fraquejaram, e eu caí no chão, desesperada. – Eu não vou conseguir Joe. – eu passei as mãos sob meus olhos sentindo as lágrimas se formarem.
            - Mas durante todo esse tempo que passou você não tem nada pra falar com ele? Definitivamente nada? – ele sentou-se ao meu lado com uma expressão incrédula no rosto.
            - Eu preciso do meu celular... – me levantei bruscamente e fui em direção ao beco onde lembrei tê-lo deixado. O visor estava quebrado, a bateria não estava por perto, ou seja, sem celular. – Joe, preciso do seu celular. Pode ver se o Liam está lá ainda, por favor?
          - Claro. Qualquer coisa me chame. – ele colocou o celular em minhas mãos e minutos depois adentrou no bar pela porta dos fundos. Disquei o número de Zayn, já que era um dos quais eu sabia de cór e no terceiro toque ele atendeu.
- Alô?
            - Zayn, sou eu s/n. – falei desanimada
          - S/N? – ele disse rapidamente – Meu Deus, não acredito que é você. Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com o Liam? – ele perguntou nervoso, com a voz ofegante.
            - Não, não aconteceu nada com ele. Está tudo bem, nós ainda não conversamos. Vocês sabiam que ele estava vindo pra cá, não sabiam?
          - Sim, nós sabíamos. Não tinha como te avisarmos que ele estava indo te ver porque você não atendia nossos telefonemas e você nem entrou mais no Twitter.
           - Eu sinto muito, eu só precisava me afastar disso tudo... Hm, desculpa por estar te ligando essa hora, e com um número desconhecido, esse número é do Joe, meu colega de trabalho. Eu joguei o meu celular na parede assim que ouvi os recados de vocês na secretária eletrônica. Não sinto meus dedos... – dei uma leve risada e encarei uma de minhas mãos livres que estavam ainda enfaixadas, sabendo que iriam ficar algumas cicatrizes.
            - O que aconteceu com seus dedos?
            - Descontei a raiva que estava sentindo na parede, chutei a lata de lixo... está uma bagunça por aqui! Uma loucura, Zayn. Onde estão os meninos?
            - Estão aqui perto de mim. Niall está roendo as unhas. Louis está andando de um lado pro outro, de tão nervoso e apreensivo que ele está, e Harry não para de mexer nos cabelos e olhar Louis andando. Isso tudo está me dando nos nervos, será que vocês podem parar?
         - Você sabe porque ele está ai não sabe minha deusa grega? – a voz de Louis ecoou em meus ouvidos bem baixinho, quase inaudível.
           - Oh, Louis. – deixei o choro que estava segurando vir – Eu estou com tanta saudades de você, e dos meninos. Não sou forte o bastante, Louis. Eu não vou conseguir conversar com ele.
            - Onde ele está agora, nesse momento?
            - Acho que Joe está conversando com ele, enquanto eu crio coragem para enfrentá-lo.
            - Joe não é... o garoto que... o Liam...
         - Não gosta? – terminei a frase q ele era incapaz de terminar – Sim. Mas ambos, e todos vocês cuidam de mim. Então, creio que um dia eles tem que se entender.
            - Niall quer falar com você, ele está quase comendo os dedos já que as unhas acabaram. – sua voz soou furiosa.
            - Tudo bem, pode passar pra ele... – respirei fundo
            - S/n... – Louis disse antes de passar o telefone pra Niall – Por favor, – ele sussurrou – não... não se afaste da gente. Não se afaste do Liam. Eu nunca o vi desse jeito, tão perdido e desorientado. Ele precisa mais de você do que nós. Você é mais do que uma fã para nós, você sabe disso, não sabe? – sussurrei um “sim” e ele prosseguiu – Você se tornou membro da família, e me partiria o coração não ter mais você conosco. Eu amo você, bilauta – consegui ouvir sua risada – Estou prestes a chorar, que droga.
          - Eu também te amo, Boo B. Eu não vou me afastar de vocês. – “toma, seu loiro falso irlândes” ouvi Louis resmungar do outro lado.
            - Nós estávamos com saudades de ouvir a sua voz, potato... – pelo tom de voz ele estava sorrindo.
           - Não há melhor sensação no mundo, do que ouvir a voz de vocês, meu anjo. Eu também estava com saudades. Como você está?
            - Com saudades? – ele deu aquela maravilhosa e contagiante risada.
            - Tirando a saudade Horan...
          - Está tudo entrando nos eixos agora. Liam está ai para vocês se resolverem, estamos nervosos aqui... Hoje pode acontecer muita coisa. – ele disse triste – E como estão as coisas por ai? Mal vejo a hora dessa turnê acabar e passarmos um tempo juntos jogando futebol, ou videogame e comer brigadeiro. – ele realmente estava com saudade.
            - Ah, você sente falta da minha comida! Por aqui está tudo bem. Esses últimos meses tem sido... um tanto... perturbadores. Tirei nota baixa na faculdade... – “VOCÊ O QUE S/N?”, escutei a voz de Louis alterada – Oh, eu estou no viva voz? – “Sim”, eles disseram uníssono – Ok. Sim, Louis. Eu tirei nota baixa, porque não conseguia me concentrar nas aulas. Não consigo dormir direito. Tem sido um misto de emoções esses meses. Vocês não fazem ideia! – suspirei.
[...]

Joe Pov’s Joe narrando – 

Fiquei por alguns instantes ouvindo a conversa que s/n teve com os meninos pelo telefone para me assegurar que ela estava bem, e não ia socar a parede ou chutar a lata de lixo como fez mais cedo. Passei pela cozinha e fui em direção à mesa onde Liam estava sentado. Foi um choque pra mim ver que ele estava aqui querendo sua melhor amiga de volta. Eu estava me sentindo aliviado e ao mesmo tempo preocupado. Não sabia se isso ia acabar, ou se ia continuar como estava, ambos sofrendo.
Sentei-me de frente pra ele assim que cheguei à sua mesa e fiquei olhando pra ele, sério. Procurando alguma expressão que demonstrasse o que ele estava sentindo até ele começar a falar.
- Ela não quer conversar comigo não é? – ele baixou a cabeça
         - Você sabe que isso só vai depender dela. – disse sincero – Ela está lá trás conversando com os meninos. – apoiei os braços sobre a mesa. – O que você veio fazer aqui?
          - Como assim o que eu vim fazer aqui? – disse ele, incrédulo – Eu vim conversar com a minha melhor amiga.
            - Só isso? Conversar? – arqueei as sobrancelhas.
            - Pedir desculpas... perdão. Dizer o que eu sinto. – ele ergueu os ombros e os baixou
            - Como você se sente? – estreitei os olhos ao apoiar o queixo em minhas mãos
            - Me desculpe, mas eu tenho que dizer isso a ela. Não a você. – ele disse, ríspido
          - Sei que você não gosta de mim, Liam. Eu só quero ver a felicidade dela. Não só eu, mas sei que você também quer isso. Eu só não quero que ela fique depressiva de novo. – ele me encarou – Você não sabe o quanto esses três meses foram difíceis pra ela.
            - Você acha mesmo que eu não sei? – ele deu uma leve risada, como se já soubesse disso – Eu também sofri e estou sofrendo.
            - Ela sabe disso.
            - Como?
            - Ela viu alguns vídeos seus chorando em alguns shows. – ele baixou a cabeça, envergonhado talvez. – E nesse momento ela percebeu que isso teria que acabar, de uma vez por todas. – ele olhou pra mim, rapidamente
            - Acha que ela vai me perdoar? – ele estava com os olhos avermelhados.
            - Era você quem ligava pra ela com o número restrito, não era?
            - Sim. – ri de leve
           - Eu sabia. Sempre soube. – olhei no fundo dos seus olhos, e ele balançou a cabeça confirmando. Ele estava perdido, mergulhado numa escuridão infinita rezando para que alguém acendesse a luz e estendesse a mão e o puxasse de lá. E esse alguém só podia ser S/n.
            - Você acha que ela vai me perdoar? – ele perguntou novamente com o olhar triste.
            - O que você acha? – apontei pra ele mesmo
            - Que ela não vai mais querer olhar na minha cara... e não vai me perdoar.
            - Então você não a conhece. – tamborilei os dedos sobre a mesa
            - Por que diz isso?
         - Acha que ela não iria se importar caso não gostasse de você? Ela sempre vai perdoar aqueles a quem ela ama Liam, sempre. Ela vai perdoar você. Assim como você, ela também está perdida.
            - Como você sabe disso?
            - Ela não me dizer mas eu consigo ver isso nos olhos dela, e nos seus também.
            - Você gosta dela não é? – perguntou, nervoso. E eu sorri já sabendo que ele já tinha isso em mente.
          - Eu a amo. Mas não da maneira que você está pensando. Sei que esse é o motivo pelo qual você não gosta de mim. Você pensa que vou afastá-la de você, mas não vou. Eu poderia muito bem te puxar pela gola da camisa e chutar você daqui, porque você já fez ela sofrer demais. Mas não vou fazer isso, porque reconheço que vocês tem assuntos pendentes. Não aguento mais vê-la sofrer.
            - Obrigado por... ajudá-la. Sei que não foi fácil pra ela.
            - Não foi fácil pra ninguém. – suspirei – Por que você não falava com ela pelo telefone?
            - Se eu falasse alguma coisa, ela iria desligar. Ela só falava com os meninos raramente, depois parou. Eu me afastei de tudo e de todos. Eu estava ficando maluco com tudo isso, então decidi vir pra cá. Eu chorava nos shows, toda noite quando ia dormir ou quando deixava recado na secretária eletrônica dela.
        - Então foi por isso que ela quebrou o celular. – disse ao lembrar de ter visto o celular de S/n espalhado pelo chão. – Mas você não está em turnê? Como você conseguiu vir?
          - Só vou passar dois dias, infelizmente. Preciso conversar com ela esses dias, não quero forçar a barra... mas é tão difícil viver sem ela. – ele soltou o choro que estava entalado na garganta. Ele rapidamente enxugou as lágrimas e mordeu os lábios com força. – Eu só quero que isso acabe e que voltemos a ser como éramos antes. Se isso não acontecer, não sei o que vai ser de mim. – ele disse com a voz trêmula.
         - Só pense positivo, você sabe que ela tem um bom coração. Um coração puro. E independentemente do que aconteça hoje, amanhã e mais pra frente, ela sempre vai amar você e ter orgulho de você.
            - Obrigado. – ele sorriu, e um tenso silêncio caiu sobre nós.
            - Eu vou chamá-la. – eu me levantei e balançou a cabeça assentindo.
Enquanto andava até onde S/n estava, a única coisa que havia em minha mente era que todo esse sofrimento tinha que acabar. Não importa quando. Mas tinha que acabar.

S/n’s Povvocê narrando – 

Escutei o barulho da porta sendo aberta, e Joe apareceu dizendo que já estava na hora de desligar e resolver o que tinha que ser resolvido. Revirei os olhos e pedi pra que esperasse mais um pouco, pois ainda faltava falar com Harry.
- Hm... Niall, será que posso falar com o Harold agora? Joe já está me chamando. Faz mais de meia hora que deixei Liam esperando.
            - Sim, ele está aqui pode falar com ele. Estou com saudades, amo você potato. Volte logo para nós.
            - Em breve, Nialler. – sorri.
            - Olá, S/n. É o Harry – a voz grave e rouca dele ecoou, e sorri com a formalidade.
            - Cachos, como você está? – disse animada.
         - Bem, não adianta dizer que estou com saudades porque isso é óbvio, e seria o eufemismo do século. Entendo que a conversa terá que ser breve, pois você tem que voltar para certa pessoa. Todos nós queremos que vocês se resolvam. Você consegue fazer isso S/n, – olhei pra Joe que ainda estava à minha espera – nós acreditamos no seu potencial. Você é forte, já passou por muita coisa. – meus olhos encheram-se de lágrimas, ele estava certo. – Nós sabemos disso, você sabe disso. – ele disse calmo, respirou fundo, e o seu tom de voz mudou – Então não venha com esse papinho de que não é forte, porque pra mim, isso é conversa pra boi dormir, tá legal? – ele disse mandão.
            - Uau, acho que seu nível de testosterona está alto. – ele deu uma gargalhada – Obrigada Harry, mas infelizmente eu tenho que ir. Ligo assim que arrumar um celular novo, já que quebrei o meu, ou ligo desse novamente.
            - Tudo bem. Beijos. Amamos você, muito. Nunca se esqueça disso. – Harry disse falando por todos.
              - Não vou. Obrigada por tudo, isso vale para todos. Eu amo cada um de vocês. Beijos. – encerrei a chamada.
Eu olhei pro céu negro repleto de estrelas e pedi a Deus força, o suficiente para encarar o que estava por vir.
Olhei para Joe, que havia aberto a porta, e eu segui em frente adentrando no meu local de trabalho. Uma porta havia ficado para trás e só faltava mais uma, a porta da cozinha que dava finalmente acesso ao bar, fazendo com que eu tivesse completa e total visão de Liam sentado numa mesa que ficava de costas para onde eu estava.
Posicionei minhas mãos na porta a fim de empurrá-las mas não consegui. Eu estava com medo, nervosa e insegura. Não importava quantas barreiras eu teria que construir ao meu redor, ou em volta do meu bem mais precioso – coração – sempre teria alguém que iria derrubá-las. E esse alguém, era Liam. Joe, que estava logo atrás de mim, repousou sua mão em meu ombro e apertou levemente.
- Eu estou aqui. Sempre vou estar, podemos fazer isso juntos. Você consegue pequena. – olhei para ele brevemente e sorri em forma de agradecimento. Balancei a cabeça pra cima e para baixo, “eu consigo fazer isso, é só uma conversa”. Empurrei última porta e me senti de guarda baixa. Eu mesma havia me permitido derrubar os pequenos e resistentes tijolos que ainda sobravam como escudo emocional.
Fui até a cafeteira e peguei o bule já com o café pronto. Abaixo do balcão haviam as bandejas, onde coloquei o bule e uma xícara, açúcar, adoçante e uma pequena colher. Ultrapassei o balcão, peguei a bandeja e fui até a mesa onde Liam estava sentado. Ele tomou uma postura mais ereta e ficou me observando despejar o café no recipiente com as mãos trêmulas, ele encostou suas mãos nas minhas assim que percebeu as ataduras e meu nervosismo, e rapidamente eu as puxei. Liam pegou a colher enchendo-a com açúcar, colocou no café e mexeu em seguida.
Eu apenas observava ainda de pé sem saber se deveria sentar, dando a entender que estaria dizendo sim a nossa conversa, ou se deveria deixá-lo sozinho degustando o café recusando o segundo pedido.
- Você... não vai sentar? – ele falou calmamente, mas cheio de esperança. Apenas aceitei o fato de que estava na hora de pôr um fim nisso, precisávamos esclarecer as coisas. – O que aconteceu com as suas mãos? – ele começou a ficar nervoso e preocupado.
            - Acidente na cozinha. – menti.
            - Sei quando você está mentindo, s/n... – suspirei, ele bebericou o café.
            - Eu... soquei a parede e me cortei. – coloquei as mãos em cima da mesa e observei as ataduras que estavam manchadas devido ao sangue – Joe... queria me levar pro hospital, para cuidarem dos cortes mas eu não... quis ir. – ele pegou minhas mãos e acariciou-as por cima da faixa, mas eu ainda podia sentir seu toque sob elas.
            - Por que você me deixou? – ele disse com a voz trêmula, como quem estava prestes a chorar. E observava minhas mãos atenciosamente. Tirei minhas mãos das suas e pus em meu colo.
            - Você sabe porquê... – eu finalmente, pude olhá-lo sem insegurança – Você não deveria estar em turnê com os meninos? – ele me encarou
          - Acha que eu conseguia me concentrar nas passagens de sons, nos shows, entrevistas? Acha mesmo que eu não queria ter ido atrás de você no segundo em que eu descobri que você foi embora? – ele soltou o choro que estava preso na garganta – Cada dia que se passava era uma agonia. Você não atendia minhas ligações, não respondia minhas mensagens no Twitter. Eu só queria ter você comigo... – ele enxugou as lágrimas, mesmo sendo em vão.
          - Eu sempre estive do seu lado Liam, sempre. – ele negou com a cabeça, eu segurei suas mãos e acariciei-as – Eu só não estava do jeito que você queria. Eu disse que precisava de um tempo, não foi fácil pra nenhum de nós.
            - Pelo menos você teve um bom ombro amigo. – ele se referiu a Joe em um tom esnobe, sarcástico.
          - Joe só soube do que estava acontecendo, ou melhor, soube que aconteceu algo porque voltei de viagem antes do combinado. Fiquei bêbada e acabei contando as coisas por alto. Não sou de contar meus problemas para as pessoas Liam, você sabe disso.
            - Vocês estão juntos? – ele olhou-me nos olhos.
            - Não. – respondi seca.
            - Por que você me deixou, S/n? Por que? – ele queria uma explicação, então, ele iria ter
        - Lembra quando estávamos indo jantar depois que eu e os meninos voltamos da quadra? – ele assentiu sem me interromper – Eu já havia sentido aquilo, o medo e a tristeza de saber que ali não era o meu lugar, que não importa o que acontecesse, era ela – Sophia – a quem você iria escolher. Eu não ia pedir que fizesse uma escolha, Liam. Isso não era o certo. Eu sinto quando não me encaixo em um lugar, eu sinto quando tanto faz eu estar ali ou não. Eu já havia passado por isso, e você sabia disso. O que você disse quando entrei no carro? – olhei pra ele triste, com a vista embaçada, os olhos já cheios de lágrimas.
            - Que iríamos conversar quando chegássemos... do jantar. – ele sussurrou.
            - E nós conversamos? – dei uma leve risada, a fim de aliviar a tensão.
            - Não...
          - O que Sophia disse quando eu sai do restaurante? – arqueei uma sobrancelha esperando ouvir a mentira que ela contou pra ele.
            - Que... você não estava... se sentindo bem. – ele estava acanhado, e eu cheia de uma coragem repentina querendo que nós voltássemos a ser o que éramos antes, dois melhores amigos. Mas estamos na fase de que não estávamos reconhecendo um ao outro, estávamos em um território desconhecido. Eu estava disposta a tentar recomeçar, porque o amava, e não queria perde-lo. Na verdade eu o amo, e não quero perdê-lo.
            - Ela não contou a parte que se eu não me afastasse de você, faria questão de tirar você de mim. E olhe só – ergui os ombro e relaxei – ela conseguiu. Esse era o plano dela. – ele se encolheu – No dia que você foi até o meu quarto e cantou pra mim, – eu sorri – eu senti que... não importava o que acontecesse, sempre ficaríamos juntos, que ficaríamos bem. Até no dia seguinte você ter ido com ela ao cinema, e os meninos me distraíram enquanto jogávamos FIFA. Eu percebi que vocês tinham saído, então arrumei minhas coisas e fui embora aproveitando a oportunidade que você não havia voltado.
          - Eu tentei voltar o mais rápido que pude s/n... eu juro. Mas Sophia estava me prendendo no shopping com ela. – ele abaixou a cabeça ao perceber que era essa a verdadeira intuição de passar mais tempo com ele, mantê-lo longe de mim o máximo que pudesse.
            - Eu sei que você tentou Liam, eu sei. – logo atrás de Liam, Joe estava perto da porta já pronto para ir embora. Ele acenou pra mim, me chamando. – Só um minuto, já volto...
            - Tudo bem. – ele disse cabisbaixo.
Caminhei em direção a Joe.
- Você já vai? – o abracei.
           - Sim – ele beijou o topo da minha cabeça e retribuiu o abraço – S/n... seja lá o que aconteceu com você e o Liam, deixe isso para trás. Se ele está aqui é porque sente a sua falta, e você também sente saudades dele. Apenas escute o que ele tem pra dizer, tente entender o que ele está sentindo. E depois diga como você está sentindo. – apenas balancei a cabeça confirmando – Você quer que eu fique mais um pouco e te leve pra casa, ou vai com ele? – ele olhou rapidamente pro Liam.
            - Eu acho que vou pegar um táxi, não se preocupe.
         - Eu sempre vou me preocupar com você, S/n... Só me prometa que vai ligar quando chegar em casa, por favor. – ele colocou uma mexa do meu cabelo atrás da orelha, eu queria tanto chorar.
           - Joe... – eu coloquei minhas mãos sobre seu peito e preenchi o vazio das minhas mãos com o tecido da camisa dele, apertando com força, sentindo meus cortes arderem. Eu desabei e ele me envolveu com seus braços.
         - Tsc, tsc, tsc... vai dar tudo certo S/n. Vocês vão se resolver... – ele subia e descia com as mãos sobre minhas costas. – Não feche seu coração. Deixe-o aberto. Esqueça a dor, permita sentir as coisas. Se você está com medo, se permita estar com medo. - Eu enxuguei as lágrimas e me recompus aos poucos.
            - Eu prometo que vou ligar assim que estiver em casa, pode ir tranquilo. – dei um sorriso amarelo
            - Qualquer coisa S/n, eu disse qualquer coisa, me ligue. Independentemente do que acontecer aqui, me ligue. Se você quiser que eu venha lhe buscar, eu venho. Jack – dono do bar – ainda está acordado lá dentro arrumando as prateleiras e ouvindo os bregas românticos dele... – ele revirou os olhos, e eu sorri imaginando Jack ouvindo músicas românticas enquanto trabalha – Eu tenho que ir. Eu amo você. – ele beijou minha testa e abriu a porta.
- Joe... – ele olhou pra mim – Obrigada. Por tudo. – nós sorrimos – Também amo você. – ele piscou pra mim e foi embora.
Enquanto eu observava Joe se afastar da porta e ir em direção ao seu carro, ele desativou o alarme, abriu a porta jogando a bolsa para dentro do automóvel, olhou pra mim, acenou e vi um belo sorriso em seu rosto. Eu acenei de volta e sorri. Ele entrou no carro e foi embora.
Eu nunca estaria sozinha.
Caminhei de volta em direção a mesa do Liam e sentei-me.
- Desculpe, Joe queria se despedir. – sorri.
            - Ele mora muito longe daqui?
            - Não, só uma ou duas quadras daqui!
            - Eu pensava que você ia pra casa com ele, quando sai do trabalho ou da faculdade.
            - Na verdade eu vou, só que como estamos conversando eu disse a ele que eu iria de táxi pra casa. Ele fica preocupado, mas depois ligo pra ele do residencial, já que quebrei meu celular. – fechei os olhos me arrependendo de tê-lo jogado na parede.
            - O que aconteceu com seu celular?
          - Eu... escutei alguns recados da secretária eletrônica. Fiquei com raiva, então joguei ele na parede e... – mostrei a ele as mãos enfaixadas – soquei a parede. – suspirei.
            - Então você ouviu os recados... – ele disse mais pra si mesmo do que para mim.
          - Sim, eu ouvi alguns. Eu não queria ter deixado você desse jeito, peço que me perdoe. – peguei suas mãos novamente e fiz movimentos giratórios com o polegar sobre elas.
            - Você também me perdoa? – ele mordeu os lábios tentando suprir o choro.
          - É claro que eu perdoou você, Liam! – ele deixou o choro vir – Você não disse se me perdoa ou não...
          - Não tenho que te perdoar. Eu deveria ter confiado em você, foi erro meu. E só percebi isso quando ouvi Sophia falar com alguém pelo telefone que queria te afastar de mim. Mas sim, eu te perdoou. – ele sorriu, enxugou as lágrimas e acariciou as minhas mãos.
            - Como assim você ouviu ela dizer isso? – estreitei os olhos.
            - Quando você foi embora, eu dormi no seu quarto... Na manhã seguinte quando fui para o cômodo em que eu dividia com a Sophia, antes de abrir a porta eu pude sentir o entusiasmo dela ao dizer que você tinha partido e que eu era só dela.
            - Uau. – eu estava surpresa
          - Eu acabei o namoro e... pedi pra que Paul levasse ela ao aeroporto. Não falei com ela desde então. E nem quero falar com ela.
           - Sinto muito. Eu sei o quanto você gostava dela. – apertei levemente suas mãos e ele assentiu. – Por quanto tempo você vai ficar aqui? – eu intercalava os olhares entre seus olhos e nossas mãos juntas.
            - Como já é madrugada, – ele olhou o relógio que estava no pulso – vou embora depois de amanhã.
            - Onde você vai dormir?
        - Ainda não sei. – ele deu uma risada, eu balancei a cabeça não acreditando nisso e sorri. Nos olhamos por breves segundos. – É bom estar de volta. – ele beijou cada uma de minhas mãos.
            - Pode dormir lá em casa se quiser, tem espaço de sobra. E tenho certeza que mamãe vai adorar ver você. – rapidamente pensei na reação que minha mãe faria ao ver o Liam lá em casa.
            - Tudo bem.
            - Como você está lidando com o término do namoro?
           - Desde que acabou, eu não tenho pensado muito sobre isso. Eu só... pensava em você! – balancei a cabeça afirmando, eu fiquei balançada com aquele comentário – Conselhos de garotas são diferentes dos que nós garotos damos. Eu me afastei dos meninos, ficava sozinho... ligava pra você com número restrito, me desculpe por isso, era a única maneira de ouvir a sua voz. Era tudo o que eu precisava.
            - Então... o choro era seu.
            - Sim... me desculpe.
            - Tudo bem. Joe tentava enfiar isso na minha cabeça, mas você sabe como eu sou. – sorri. Era bom ter as coisas voltando ao normal. – Tenho que arrumar minhas coisas, está ficando tarde.
            - São quase quatro horas da manhã. É melhor ir logo, essa cidade é estranha e frienta.
            - Estamos no Reino Unido, Liam. – revirei os olhos, rindo. Claro que seria frio.
           - Sim, mas... sei lá. Não gosto daqui, você poderia morar comigo em Londres. É mais perto da sua faculdade.
            - Não quero ficar sozinha naquele casarão, Liam. Você passa muito tempo viajando, e quando volta de turnê só fica em casa por pouco tempo. Gosto da agitação de Londres, e agradeço seu convite, mas gosto da calmaria de Holloway, é perto da casa de mamãe, divido apartamento com Gabriela e trabalho aqui.
            - Tudo bem, se é assim que você quer! – ele ergueu as mãos.
       - Vou falar com Jack e pegar minhas coisas. Ai podemos ir, tudo bem? – arqueei uma das sobrancelhas.
            - Por mim tudo bem. – ele beijou minhas mãos e fui em direção à cozinha, já procurando por Jack.
Uma melodia suave e relaxante do saxofone ia de encontro aos meus ouvidos enquanto andava entre as prateleiras. Pude ouvir alguém cantarolar junto com o cantor a letra da música, a qual era um clássico das antigas. E eu adorava aquela música, Careless Whisper, de George Michael. Jack se mexia de um lado pro outro lentamente enquanto a melodia se estendia, eu o observei com um sorriso idiota do rosto, por nunca ter visto ele dessa maneira.
- Posso acompanhar você na dança se quiser... – eu disse, e ele se virou bruscamente em minha direção assustado, depois sua feição suavizou-se quando viu que era eu.
            - Você me assustou, S/n. – ele estendeu uma mão em minha direção e eu a segurei indo de encontro ao seu corpo. Ele viu minhas mãos enfaixadas e franziu a testa. – O que aconteceu com suas mãos? – ele me guiava no ritmo da música.
            - Eu precisava descontar minha raiva em algo. – dei de ombros.
            - E em quê você descontou sua raiva? – ele me rodopiou, e eu sorri.
         - Parede. – eu sorri mais ainda lembrando da cena que no momento foi estressante, mas agora, passou a ser engraçado.
            - Então você é das duronas! – ele se afastou de mim para me observar e sorriu.
            - Você não faz ideia, chefe. – dei leves tapinhas em seu ombro, onde minha mão esquerda estava apoiada.
[...]

Liam’s PovLiam narrando – 

Assim que S/n entrou na cozinha a procura do chefe, fiquei esperando sentado e encostei os cotovelos no balcão. Fiquei olhando para os lados, até avistar uma caixa de música antiga, onde depositava-se uma moeda e ela automaticamente escolhia uma música para tocar. Caminhei até lá coloquei uma moeda. O som da guitarra country ecoou pelo bar, mostrando no pequeno visor o nome da música She’s Everything, do Brad Paisley, eu pude relaxar e apreciar a música andando de volta pro balcão.
Passei os olhos pelas garrafas de bebidas que estavam organizadas lado a lado em enormes prateleiras. E avistei a revista que eu e S/n estávamos juntos na capa, e a ansiedade de pegá-la cresceu dentro de mim. Levantei-me do banco que estava, passei pelo enorme móvel de madeira sem fazer barulho e peguei a revista, já começando a folheá-la. Na página 16 estava a matéria com diversas fotos do dia em que S/n foi para Los Angeles.
A foto em que estava estampada na capa era uma de minhas favoritas. Foi a foto que um paparazzi capturou num momento de pura descontração. Fomos a um parque num sábado ensolarado e aproveitamos o máximo que pudemos juntos. Nesse dia, ela comeu dois cachorros-quentes, um saco de pipoca e nunca abrindo mão do sorvete de creme com calda de chocolate. Foi o dia mais divertido em toda a minha vida. Eu comecei a rir sozinho ao recordar esse dia.
S/n nunca impôs restrição em nossa amizade. Ela sempre foi sincera comigo mesmo sabendo se iria me magoar ou não. Me protegia mesmo sendo mais nova do que eu, como se fosse uma mãe cuidando dos filhos. Me chamava de idiota e batia-me no ombro de leve, que de acordo com ela, era uma maneira de dizer que me amava. O que tal ato me fazia sorrir.
Eu estando a observar as fotos, vi que perdi toda a diversão. O jogo deles na quadra, eles jogaram FIFA enquanto Sophia me prendia no shopping, me afastando de S/n. Queria ter feito parte do time dela e ter ganho um abraço após ela ou alguém da equipe ter feito um gol atrás do outro. Eu perdi toda a diversão porque ela não era a minha namorada. As fotos dela pegando um táxi para ir embora me deixaram triste, pois me fizeram pensar que eu poderia ter evitado meses de sofrimento entre mim e S/n. Eu fechei a revista e encarei a foto da capa.
Eu não estava a vendo como minha melhor amiga. Eu a via como a garota que eu amo. A garota que eu queria ter pra sempre em meus braços e poder chama-la de minha. Foi ai que eu percebi, eu a queria mais do que qualquer coisa nesse mundo. E iria lutar para isso pudesse acontecer custe, o que custar.
Levantei-me do banco onde estava e me afastei um pouco, procurando por meu celular já ligando para Zayn. Ele atendeu ao segundo toque.
- Liam, como você está? Já conversou com S/n? Ela te perdoou? Você já disse que gosta dela? – ele disparou uma pergunta atrás da outra.
            - Calma, Zayn. – sorri – Eu estou bem, nervoso mas bem. Sim, já conversei com ela e ambos estão perdoados. E não, eu ainda não disse. – respondi todas as suas perguntas.
            - Onde você está? Que música é essa? – uma música dos Anos 70 estava tocando.
            - Estou no bar. – disse olhando a rua que estava vazia.
            - Bebendo? – ele elevou o tom de voz.
            - Não. Estou esperando S/n pegar as coisas dela e irmos pra casa.
            - Você vai dormir na casa dela? – ele perguntou surpreso.
          - Sim, ela me chamou... então tenho que esperá-la. Tenho que falar sobre aquele assunto com ela, ainda. – falei sussurrando ao lembrar que ela poderia aparecer a qualquer momento.
           - Vai dar tudo certo. Os meninos e eu falamos com ela mais cedo, antes de vocês terem conversado. Louis quase chorou quando estava falando com ela ao telefone, ficamos muito aflitos até você ligar dizendo que se resolveram.
            - Por que Louis quase chorou? – franzi a testa e vi o meu reflexo no vidro da porta.
         - Ela passou quase dois meses sem falar com a gente, deixávamos recado na secretária eletrônica assim como você, mas ela não retornava nossas ligações. Começamos a pensar que ela não queria mais falar com a gente. Quando ela me ligou, Louis começou a andar de um lado pro outro querendo novidades, tomou o celular da minha mão e falou com ela, implorando pra que não se afastasse de você nem de nós.
        - Entendi. Avise a todos que já conversamos e estamos nos entendendo aos poucos. Não quero forçar a barra, fui paciente por três meses, ou tentei ser, se ela precisar de alguns dias a mais não me irão me matar. – suspirei. – Eu acabei de ver a revista aqui... ela deve ter lido.
            - Você acha que isso a deixou chateada?
            - Não sei, ela não comentou nada sobre o assunto. Zayn... – eu sorri feito um adolescente de quinze anos ao descobrir que estava apaixonado.
            - O quê?
            - Eu estou mesmo gostando dela! – disse sorrindo.
            - Ótimo. Então diga a ela. – como se fosse fácil.
            - E se ela não sentir o mesmo? – perguntei inseguro e com medo.
            - E se ela sentir o mesmo? Já pensou nessa hipótese?
            - Não... – por alguns segundos pensei se ela tinha os mesmos sentimentos por mim.
          - Ela me ensinou a pensar assim. Sempre tem o outro lado da história, cabe a você descobrir. Não tenha medo de tentar, Liam. Pelo menos você não vai ficar pensando... “eu deveria ter tentado fazer isso”, “eu deveria ter tentado fazer aquilo”. Apenas faça. – respirei fundo.
            - Tudo bem. – falei baixinho, reunindo coragem que me faltava.
[...]

S/n’s Povvocê narrando – 

- Liam... está aqui.
         - Aqui? No bar? – balancei a cabeça afirmando – Você já conversou com ele? – agora uma outra música tinha começado, The Lady in Red, de Chris de Burg. Eu fiquei surpresa com seu gosto musical, mas continuamos dançando.
          - Não sabia que você gostava desse gênero musical... – franzi a testa, e ele soltou uma gargalhada me levando junto.
           - Sou um velho romântico, S/n. – foi a minha fez de soltar uma gargalhada, por ele ter se chamado de velho.
           - Você não é velho, Jack! – encostei meu queixo em seu ombro. – Enfim, nós conversamos. Estamos nos resolvendo aos poucos, mas sinto que temos alguma coisa pra confessar. Tenho sentimentos por ele. – ele se afastou e olhou-me seriamente.
       - Que sentimento seria esse? – ele me rodou novamente e pôs a mão em minhas costas, nos balançando enquanto ele sussurrava a canção ainda atento as minhas palavras.
            - Acho que estou afim dele... – suspirei. – Não quero que isso acabe com a nossa amizade.
          - Você não sabe se ele sente o mesmo. – agora foi a minha vez de girar ele pelo ar conforme a música, nos aproximamos novamente. – Se você acha que é melhor contar as coisas pra ele, conte. Ambos podem entrar em um acordo S/n. Não esses acordos que empresários fazem. – ele revirou os olhos – O que estou querendo dizer é que vocês podem achar métodos que deem certo para vocês dois.
           - Acha que ele sente algo por mim? – eu o observei cautelosamente
           - Só ele sabe, minha cara. – ele beijou minha testa assim que a música acabou. Ele desligou o rádio e se virou para mim. – Mas o que você está fazendo aqui a essa hora?
            - Vim pegar minhas coisas e avisar que já estou indo. Afinal, já está tarde e Liam vai dormir lá hoje.
            - Quanto tempo ele vai passar aqui?
            - Apenas dois dias. – peguei minha bolsa e desamarrei o avental de minha cintura.
            - Hum... – disse ele balançando a cabeça – Vamos, está na hora de fechar o bar.
Jack me acompanhou até o balcão, e em cima dele estava a revista que eu e Liam saímos na capa. Ele se encontrava de pé, perto da porta falando com alguém pelo telefone. Ao passarmos pela pequena passagem do balcão, Jack deixou a tampa cair bruscamente fazendo ecoar pelo bar o barulho que a madeira fez ao bater na outra. Liam virou rapidamente, silabou algumas palavras e encerrou a ligação. E veio em minha direção e a de Jack.
- Que ligou a caixa de música? – Jack perguntou olhando pra mim
            - Eu. Me desculpe. – disse Liam
            - Você deve ser o Liam... – disse pensativo
         - Sim, sou eu. – Liam estendeu a mão para cumprimentar Jack, ele olhou pra mim e para a mão estendida pensando em apertá-la.
           - É finalmente um prazer conhece-lo. – Jack apertou a mão de Liam, e sorriu sem mostrar os dentes. – Bom, se vocês não se importam... eu tenho que fechar o bar. Já está tarde.
            - Você já pegou suas coisas? – Liam olhou pra mim e sorriu.
            - Ah, sim. – falei ajeitando a alça da bolsa que estava no meu ombro.
            Jack colocou os olhos em nós dois e balançou a cabeça.
            - Bom... – suspirei – vamos indo. Tchau Jack, até amanhã. – lhe dei um abraço.
          - Não precisa vir hoje, tire alguns dias de folga. Você está precisando... esses meses não tem sido fáceis pra você, e creio que Liam está aqui para isso não é? – ele olhou para Liam.
            - Sim senhor. – Liam respondeu firme e olhou pra mim.
            - Tem certeza, chefe?
            - Absoluta. – ele encarou Liam, isso está sendo tão estranho.
Jack caminhou até a porta do bar e abriu dando a nós a passagem para a rua vazia e fria que se encontrava lá fora. Quando eu e Liam estávamos na calçada, Jack, que estava a soleira da porta gritou meu nome.
- S/n! – eu virei rapidamente – Aquela pergunta que você me fez, – eu pensei de que pergunta ele estava falando – a resposta é sim! – ele olhou pra Liam e fechou a porta do bar.
            - De que pergunta ele estava falando? – Liam franziu a testa.
           - Nada demais. – eu ainda encarava o bar a minha frente. “Acha que ele sente algo por mim?”, “Só ele sabe, minha cara”. Agora eu entendi porque Jack o olhava tanto. Quando sai de transe eu olhei Liam que estava ao meu lado atônito e tenso. De acordo com Jack, ele tinha sentimentos por mim assim, como eu tenho por ele.
- Será que... pode chamar um táxi? Estou sem celular. – disse sem graça.
            - Sim, claro. O táxi. – ele pegou o celular, discou o número e deu o endereço assim que a ligação foi atendida. – Em cinco minutos ele deve estar aqui.
         - Ok. – eu podia ver a fumaça fria que saía da minha boca a cada palavra que ele ou eu dizia, esfreguei minhas mãos sobre meus braços a fim de me esquentar do frio. Eu só estava vestindo uma jeans escuro e uma camisa social de mangas cumpridas.
            - Está com frio? – Liam perguntou com um sorriso no rosto.
            - Um pouco. – eu comecei a bater os dentes e me arrepiar. Ok, eu estava com muito frio. Liam tirou sua jaqueta de coura preta e colocou sobre meus ombros. – Obrigada.
            - Deve servir enquanto o táxi não chega. – eu balancei a cabeça confirmando, e senti o aroma do seu perfume. – Ainda não se acostumou com o clima? – ele riu.
            - Não é isso! Normalmente, assim que meu expediente acaba Joe me leva pra casa... então eu não sinto tanto frio assim. – disse me encolhendo dentro jaqueta.
            - Ah. – ele baixou a cabeça, e o táxi chegou.
         - Ai, graças a Deus! – ele abriu a porta pra mim e eu entrei seguida por ele. – 159 Widdenham Road, por favor. – eu disse ao motorista.
            - Você realmente deveria pensar sobre ir morar em Londres comigo. – ele olhou pra mim.
            - Liam, já discutimos sobre isso. – revirei os olhos.
         - Seria mais fácil pra você, S/n. – ele pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos. Eu gostei do gesto.
            - Seria mais fácil pra você. – eu ergui a sobrancelha, ele bufou. – Tá, supomos que eu me mude, eu teria que sair de Londres e vir trabalhar aqui em Holloway toda noite, Liam. Não tem saída, mas valeu a tentativa. – apertei sua bochecha.
            - Você não iria precisar trabalhar se fosse morar comigo. – ele disse sério.
            - Tá dizendo que você iria me bancar? – perguntei, incrédula.
            - Sim. – ele ergueu os ombros e os baixou rapidamente.
            - Definitivamente, não. – puxei minha mão da sua.
            - Deus, você é tão difícil S/n. – ele bufou. – Você poderia ar..
            - Conversa encerrada, Liam Payne. – disse sem encara-lo, mas eu podia sentir seu olhar sobre minhas costas.
            - Tudo bem. – ele disse baixinho e se virou pro lado da janela.
A trajetória foi feita em silêncio e rapidinho nós chegamos em casa. Paguei ao motorista pela viagem, agradeci e descemos do carro.
- Mas você tem que admitir S/n, seria mais fácil sua vida em Londres... – eu revirei minha bolsa a procura da chave.
         - Deus... – revirei os olhos – Você não vai desistir dessa ideia não é? – ele negou com a cabeça, quando eu já estava abrindo a porta tentando não fazer muito barulho. Coloquei minha bolsa no cabide que tinha ao lado da porta e tirei os sapatos, deixei Liam entrar e ele foi direto pra cozinha, nem adiantava dizer “sinta-se em casa”, ele voltou com um copo d’água na mão, foi pra sala largando a mochila e jogou no sofá, o que me fez rir.
            - Preciso de um banho... – ele falou olhando para as roupas que vestia.
           - Hum... pode usar o banheiro principal, tem toalha e sabonete no armário. – ele já tirava o tênis. – Também vou tomar banho, arrumar um travesseiro e lençol pra você.
        - Tudo bem! – ele puxou a camisa pela gola, tirando-a... enquanto eu ainda estava ali parada admirando o abdômen sarado que ele tinha. – O que foi? – ele me tirou do lapso mental momentâneo.
            - Nada! Eu... eu vou tomar banho! – me virei e fui pro meu quarto. Me despi e vesti um roupão. Eu tinha que ligar pro Joe se não ele ia me matar. Peguei o telefone residencial e disquei o número dele.
- Alô... – ele disse com a voz rouca, e eu provavelmente tinha o acordado.
            - Joe, é S/n. Só liguei pra avisar que já cheguei... desculpa se acordei você. – disse lentamente.
            - Eu só estava deitando, mas o sono estava chegando. Está tudo bem?
            - Sim, eu vou tomar banho agora e dormir um pouco. Um enorme peso foi tirado das minhas costas hoje.
            - E Liam, onde ele está?
            - Aqui em casa. Ele não sabia onde dormir... então ele vai passar esses dias aqui.
            - Então quer dizer que... – ele bocejou – que vocês se resolveram? – eu dei uma risada.
            - O que você está vestindo?
          - Só uma calça de moletom... Porque? – pelo tom de voz ele me pareceu surpreso – Ai meu Deus, S/n... – ele despertou.
            - O que? – eu perguntei confusa.
            - Você quer fazer sexo por telefone comigo? Eu não acredito nisso... – eu fiquei sem graça.
            - O quê? Não! Você ficou maluco? Meu Deus. – eu revirei os olhos e cobri os olhos com uma mão, não acreditando que ele pensou nisso. – Olha tenho que tomar banho, tchau.
            - Você é mesmo uma safada, S/n! – eu gargalhou no outro lado do telefone.
          - TCHAU, Joseph West! – disse sorrindo e encerrei a chamada. Joguei o telefone na cama e fui tomar banho.
Passei meia hora tomando banho, a fim de tentar relaxar. Mas lembrei que tinha faculdade pra ir à tarde, no trabalho Jack me deu folga pelo fato de Liam estar aqui em Holloway para conversar, então teríamos que conversar bastante. Vesti minha roupa intima e vesti uma camisola.
Peguei um travesseiro e um lençol no armário pra Liam e fui em direção a sala que já estava uma bagunça por ter roupas espalhadas pelo chão. Coloquei o enxoval no sofá e peguei as roupas que estavam no chão e dobrei-as também colocando no sofá, quando me virei pra ir pro meu quarto vi Liam parado com uma toalha amarrada em seu quadril e outra toalha envolta do pescoço enquanto ele secava os cabelos com ela.
O peito nu, molhado por causa do banho me chamou atenção enquanto eu observava cada gota que escorria por seu abdômen parando na tolha do quadril. Pisquei algumas vezes e respirei fundo e olhei em seus olhos, depois vi um sorriso cínico em seu rosto, desgraçado.
- Seu lençol e travesseiro estão no sofá.
            - Vou dormir no sofá? – ele perguntou ofendido.
            - Caso você não se lembre, Liam... – virei-me pro sofá e formei uma cama – é um sofá-cama.
            - Eu não lembrei desse detalhe... – ele coçou a nuca.
            - Bom, já estou indo dormir. Boa noite! – sorri, e bati em seu ombro quando passei por ele.
            - Obrigado! – ele disse assim que alcancei a porta do meu quarto.
Fui até minha mesa do computador a procura do meu iPod para ouvir minhas músicas antes de dormir. Era como se fosse um ritual, ouvir músicas lentas, me aconchegar na minha cama quentinha e só esperar o sono vir. E essa madrugada estava muito fria. Assim que entrei debaixo das cobertas fechei os olhos esperando o sono vir e me levar para a mais funda e vazia escuridão.
Nada veio. Toquei de posição frustrada por não estar com sono, peguei o iPod e entrei no Twitter, há meses não entrava lá. “Ok, quase 6 AM e o sono ainda não chegou.” Postei no Twitter, e em milésimos já tinha vários RT’s e menções para mim como “O que você fez hoje?” “Tem falado com os meninos?” “Você é tão sortuda” “Eu te odeio, por mim você poderia queimar no quinto dos infernos”, rapidamente eu respondi, “Oh, eu venho buscar você, onde quer que eu esteja.” Eu ri sozinha no meu quarto. “Eu adorei seu icon!!!” mandei para uma garota que tinha a foto do Louis fazendo careta em sua conta do Twitter, ela surtou, pois instantaneamente ela me respondeu: “Ai meu Deus, aldijoweijfrfnowiejd VOU TER UM ENFARTE”. Eu gargalhei, e tapei a boca lembrando que Liam estava dormindo na sala. Sam Smith ecoava em meus ouvidos e eu relaxei, ao som de Stay With Me. Enquanto minhas notificações estavam aumentando eu não sabia o que fazer. “Por que você passou tanto tempo sem entrar aqui? Tava sendo perseguida? Hahahaha”, “Boooa, mas não. Esses meses tem sido um pouco insuportáveis e estressantes. Faculdade e trabalho ocupam meus dias” respondi para @SexyLiamFlickHair “Adorei seu user, hahaha o Liam de franja era adorável”. @hazzashotbabee perguntou “Tem falado com Liam? Ele está meio triste esses meses...”, eu respondi “Ele está dormindo na minha sala agora, ele está bem, não se preocupe. Digo que mandou um beijo pra ele”. @Real_Liam_Payne: “@/seuuser VAI DORMIR, VAMPIRA!!!”, dei outra gargalhada, ele ainda estava acordado. “Cuidado Liam, vou morder seu pescoço enquanto estiver dormindo”, mandei pra ele que estava apenas a alguns metros longe de mim. Ouvi batidas na porta, sentei-me na cama e Liam abriu a porta.
- Não estou conseguindo dormir, tem uma vampira por ai!!! – eu ri, e rapidamente tirei uma foto dele e postei no Twitter com a legenda: “Olhem só quem não está conseguindo dormir...”, Liam estava sem camisa, só com uma calça de moleton e descalço. Mais notificações chegaram no meu iPod, eu olhei pra ele e bati na minha cama convidando-o para se deitar.
            - Eu também não. – ele puxou o lençol e entrou debaixo dele. – Você tá muito folgado sabia?
            - Cadê a sua amiga? – perguntou por Gabriela, minha amiga com que eu dividia a casa.
            - Na casa do namorado. – revirei os olhos.
            - Posso? – ele ergueu as sobrancelhas.
            - Claro... – ele apoiou sua cabeça em meu peito e jogou uma de suas pernas sobre as minhas. – Você precisa de uma namora, Liam! – eu disse sorrindo.
            - Não, eu tenho você! – ele lançou um braço em volta da minha cintura e me abraçou. – Ninguém vai me separar de você, agora.
            - Tudo bem, hora de dormir agora... – abracei-o e comecei a mexer em seus cabelos.
            - Sentia falta disso... – ele disse, calmo. Fechando e abrindo os olhos lentamente.
            - Vir aqui em casa?
            - Não. – franzi a testa – Dos seus carinhos. – ele levantou a cabeça e me beijou na bochecha.
            - O sono tá chegando?
            - Não... – ele sussurrou. – Seu coração tá acelerado. Respire fundo, S/n. – eu respirei fundo e soltei o ar pela boca.
            - Melhorou?
           - Não. Mas gosto de ouvir o som da sua voz junto com as batidas do seu coração. – eu sorri e beijei o topo de sua cabeça. – Preciso te contar uma coisa. – ele se sentou na cama e me encarou.
            - O que foi? – perguntei preocupada.
            - Eu... eu... – ele gaguejou.
            - Diz logo, Li.. – ele me beijou.
 Me puxando para mais perto, uma de suas mãos foi em direção minha nuca. Eu senti as terminações nervosas do meu corpo acenderem como o fogo percorrendo pelo álcool, avassalador. Coloquei minha mão entre seus cabelos da nuca puxando-os de leve, abri a boca quando ele umedeceu meus lábios com a sua língua. Uma de suas mãos livres apertou minha coxa, em seguida correu pro meu quadril e cintura por baixo da camisola. Ele me deitou sobre a cama, ficando entre minhas pernas, apoiando o peso do seu corpo com um braço.
Deus, isso não ia acabar bem. O pior é que eu não conseguia parar. Ele mordeu meu lábio inferior e o puxou para si, me fazendo arranhar suas costas. Quando ele o soltou, eu abri os olhos lentamente encontrando uma íris castanha escura, repleta de desejo e luxúria. Ambos estávamos com respiração ofegante pelo o que acabou de acontecer.
            - Eu... – ele começou a falar olhando em meus olhos, nervoso. Puxei-o em minha direção e o beijei, com desejo, amor e excitação. Com os joelhos ele afastou mais minhas pernas, eu dobrei os joelhos, ele apertou minha coxa deixando a marca de seus dedos. Já ansiando por ar, foi a minha vez de morder seus lábios e eu senti o volume de seu pênis quando ele pressionou nossas intimidades ainda cobertas, tombei a cabeça pra trás deixando escapar um gemido entre meus lábios. Ele atacou meu pescoço, distribuindo beijos e chupando minha pele, passando a língua lentamente em movimentos circulares e mordia novamente. Em seguida fez uma trilha de beijos até o lóbulo da minha orelha e mordiscou, ao mesmo tempo ele pressionou nossas intimidades, passei a língua por seu pescoço e o mordei a fim de conter o gemido que estava prestes a soltar. – Pelo amor de Deus, S/n... – ele disse ofegante e me beijou novamente – Me faça parar... – ele disse entre o beijo.
            - E se eu não quiser? – sussurrei em seu ouvido, passando as unhas por seu abdômen definido até a barra da calça e escorreguei minha mão pra dentro de sua box, encontrando seu membro duro e ereto, e o masturbei lentamente.
            - Aaahh.... S/n... – a sua voz rouca e sexy em meu ouvido me fez ficar ainda mais excitada, fazendo com que eu apertasse seu membro mais forte, o que fez ele revirar os olhos e fechá-los com força, apertando meu quadril. Era uma breve visão do paraíso, imagine quando ele atingisse um esplêndido orgasmo. Ele puxou minha mão de lá e me beijou com força, esmagando minha boca com a sua, e esfregando nossos sexos causando mais excitação.
            - Liam... – disse entre o beijo, sentindo sua mão muito, muito próxima da minha intimidade. Ele sorriu entre o beijo e passou o polegar sobre minha intimidade ainda coberta pela calcinha percebendo o quão úmida estava.
            - Molhada... – ele afastou o pano e introduziu um dedo, me fazendo perder o juízo, revirar o olhos e urrar de prazer sobre aquela cama. Devagar, ele pressionou meu clitóris. – Quentinha... – ele colocou mais um dedo e fez movimentos giratórios com o polegar em meu clitóris, em consequência arranhei suas costas. Deus, esse pecado era tão bom. – Olhe pra mim. – ele disse autoritário. Ele pressionou o clitóris, mexendo os dedos em um lento e prazeroso vai e vem. A medida que seus dedos entravam em minha vagina ele pressionava mais forte meu clitóris. – Olhe pra mim. – eu abri olhos e encontrei sua pupila dilatada, seu rosto suado e suas bochechas coradas em um leve tom vermelho, a boca aberta e ofegante. – Me faça parar... – ele adicionou mais um dedo, eu arqueei as costas e fechei os olhos, droga... eu estava quase gozando. – Olhe pra mim, S/n... – ele disse com a boca próxima a minha.
            - Lii-aamm, – arranhei suas costas – por favor. – ele aumentou a velocidade em que seus dedos entravam e saiam, agarrei o lençol com força sentindo minhas pernas tremerem e os músculos internos da minha vagina se contraírem ao redor de seus dedos, eu estava tão perto. – Mais rá-pi...doo. – revirei os olhos, sentindo minhas forças irem embora.
            - Implore. – ele sussurrou em meu ouvido, desgraçado.
            - Eu quero você – disse ofegante, ele pressionou meu clitóris – LIAM! – gritei, quando eu estava prestes a gozar, mas ele parou e tirou seus dedos de . – Por favor. – eu nem havia gozado e já me sentia fraca.
            - Tenho algo melhor pra você! – envolvi seu quadril com minhas pernas e o puxei, sentindo seu pênis duro sob o moletom. – Não quero que você se arrependa. – ele disse, tirando alguns fios de cabelo que estavam grudados em minha testa devido ao suor.
            - Me mostre o que você tem de melhor! – ele sorriu malicioso, e me beijou ferozmente.




Nota da autora: Era pra ter saído um hot no final, mas saiu essa bosta... Se eu quiser mesmo escrever uma fic hot, tenho que praticar. Mas tá ai! A parte final tá chegando, se gostou comente, se odiou comente.. se não achou porra nenhuma... também comente!!! Qualquer coisa tô lá no Twitter, @anwdirection. Tchau ... #tôrevolts

7 comentários:

  1. Por favor continua logooooooo!!!!!
    Eu nessecito de mais capítulos!!!!!!

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  2. Nada a declarar sobre esse capítulo...

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  3. Perfeito, por favor posta logo o final, estou desesperada para ler.

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  4. Amei ,continua logo e v~e se não enrola mulher
    kkkkkkk

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  5. Hey ... OMG : 3 ... Que PERFEIÇÃO ... Continua pelo amor de Deus .... eu amo o seu Blog ... <3

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  6. Sério por favor volta o mais rápido possível
    Thami.....

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